A Organização Mundial da Saúde(OMS) estima em 40 milhões (números de 2002) o número de crianças de menos de 15 anos que são vítimas de violência anualmente, no mundo. As consequências destes traumatismos manifestam-se de diversas formas, em função da gravidade dos actos e da vivência da criança. Estes traumatismos podem, a longo prazo, ter consequências em termos de saúde e psicossociais.
Se na Região africana da OMS, o problema da violência em geral e em particular contra as crianças é reconhecido, a sua dimensão real não é ainda objecto de uma abordagem à larga escala em termos epidemiológicos, de manifestações físicas e psíquicas, da abordagem terapêutica dos casos e da sua prevenção.
A OMS define a violência contra as crianças como sendo : " os maus tratos à criança sob todas as formas, nomeadamente, física e ou afectiva, abusos sexuais, abandono ou negligência, exploração comercial ou outra que possam causar prejuízo real ou potencial à sua saúde, sobrevivência, desenvolvimento ou dignidade no contexto de uma relação de responsabilidade, de confiança ou de poder".
Durante uma reunião de consulta organizada pela OMS sobre a resposta do sector da saúde à violência sexual realizada em Genebra em 2001, foi apresentado um estudo realizado em vários países da Região que ressaltou o facto de que 36% de raparigas e 29% de rapazes terem revelado ter sido vítimas de abusos sexuais em sua tenra idade.
A violência sexual tem graves consequências, a saber : gravidez não desejada, doenças sexualmente transmissíveis (DST) incluindo o HIV/SIDA, e indirectamente o alcoolismo, a toxicomania, a vagabundagem sexual, a dificuldade ou a rejeição de toda relação sexual. A incidência deste flagelo traduz-se também pelo medo, pela ansiedade, por perturbações do comportamento, do sono, da alimentação, da palavra, pela depressão podendo terminar com tentativa de suicídio ou mesmo suicídio.
As mutilações genitais femininas que são consideradas não apenas como violência sexual mas igualmente como uma violação dos direitos humanos da criança, caracterizam-se pela excisão parcial ou total do clitóris e de outros órgãos sexuais da mulher. Estas mutilações são causa de infecções graves, de sangramento abundante, de septicemia, de relações sexuais dolorosas, de fluxos menstruais difíceis, de perda da retenção urinária, risco de infecções sexualmente transmissíveis incluindo o HIV/SIDA, partos dolorosos, depressões. A amplitude do problema e tão grande que a OMS desenvolveu um plano de acção para a Região africana.
As crianças são vítimas de violência principalmente no meio familiar, comunitário, institucional ou por causa da guerra. Em tempo de guerra, as crianças expostas a todas as formas de violência sofrem traumatismos que podem interromper o seu processo de desenvolvimento, provocar perturbações psíquicas graves e transformá-las em potenciais delinquentes.
As crianças que não sofrem mas testemunham actos de violência podem também tornar-se violentas. Segundo especialistas, há mais probabilidades de que estas crianças sejam violentas com os seus parceiros na vida adulta do que aquelas que cresceram em lares não violentos.
Mas quanto a isso não tenhamos dúvidas nenhumas que a crianças independentemente do continente que têm sido vítimas de violência, por razões de revolta que tal lhes provoca, serão elas no seu futuro como adultos muito violentos, porque se cria neles o sentimento de vingança, de ter visto os seus pais morrerem à sua frente, por terem sido eles próprios violentados. Os EUA com a sua política externa de acções belicistas está a contribuir para que o Mundo em geral se torne mais violento, por incrementar nas novas gerações o sentimento do ódio.
Afixado por: congeminações em maio 30, 2004 07:30 PM